quarta-feira, 5 de abril de 2017

Resenha: A Garota Dinamarquesa



A Garota Dinamarquesa
Autor: David Ebershoff
Páginas: 368
Editora: Fábrica 231
Ano: 2016

Sinopse:
A garota dinamarquesa reconstrói a história de Lily Elbe, talvez a primeira transexual da história a fazer a cirurgia de redesignação sexual (ou “mudança de sexo”). Vivendo até a meia-idade como Einar, um pintor dinamarquês na Europa dos anos 1920 e 1930, ela teve a sorte de contar não apenas com um médico pioneiro, mas com uma mulher brilhante, generosa e apaixonada, sua própria esposa, Greta, para encontrar sua verdadeira identidade.

            “E a história de Lili Elbe é, claramente, uma história de identidade. Lili é hoje reconhecida como um ícone do movimento trans. Sua vida, tanto a que ela viveu, quanto a que ela descreveu ao se assumir em entrevistas e em Man into Woman, a biografia parcialmente ficcional que ela ajudou a escrever antes de sua morte, ampliou a compreensão do público sobre identidade de gênero na época.” (Trecho do Pósfacio)

Opinião:
Eu me interessei pela história quando o filme foi indicado ao Oscar, mas como eu sempre demoro muito para ver filmes, só acabei assistindo esse ano e justamente porque o tema tem a ver com meu TCC, que vai falar sobre identidade de gênero.

Assisti ao filme e imediatamente senti necessidade de ler o livro, que inclusive é baseado na história real de Lili Elba, porém não se trata de uma biografia, o autor até deixa claro no começo.
O filme é uma obra maravilhosa, mas comparado ao livro e sua riqueza de detalhes, a produção cinematográfica consegue decepcionar um pouco. A história que compõe o livro é maravilhosa e comovente. O desespero de alguém que acredita que nasceu no corpo errado é passado com muita sensibilidade.
Lili era Einar, um homem franzino, pintor, marido de Greta, mas não se reconhecia como tal, sempre acreditou ser diferente, só não sabia como era esse diferente. Greta é o símbolo da mulher independente, ao meu ver uma forte representante do feminismo, foi o suporte de Lili, a que acreditou que o marido de fato era uma mulher em um corpo de homem e que apoiou todo o processo com uma força e altruísmo enormes, lutou contra seu egoísmo para que Lili tomasse forma.

O que eu mais gostei no livro, foi que ele não explora só a parte de Lili. O enredo também vai contar a história de vida de Greta, que não foi nada fácil. Outros personagens como Hans, Henrik, Anna e Carlisle são muito bem explorados, personagens secundários que mostram como sua participação e aceitação foi importante no processo para que Einar se tornasse Lili.
Houve momentos em que fiquei bastante chocada, quando Einar ainda procurava médicos para entender o que havia de “errado” com ele. Diagnóstico de esquizofrenia, homossexualidade considerada crime, sugestão de lobotomia, etc. Se até hoje o preconceito pesa sobre a sociedade, imagine em uma época (1930) que isso era raramente assumido e extremamente reprimido.
Eu fiquei muito tocada com tudo, você consegue sentir a tristeza de Lili por não saber quem é e o desespero de Greta por ter que deixar seu marido ir.

Recomendo muito a leitura, é uma forma de você entender pelo menos um pouquinho como é tudo isso para as pessoas que passam pelo processo de aceitação de si mesmas, como sendo algo diferente daquilo que foi designado a elas muitos antes até de seu nascimento.

NOTA: ✪✪✪✪✪

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