sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

A faculdade e suas angústias


Resultado de imagem para hello i'm trying to my best

"Uma pesquisa realizada com 100 graduandos apontou que 68% dos estudantes desenvolveram algum distúrbio físico ou psicológico no período universitário, como depressão, ansiedade, gastrite, pânico, crises de enxaqueca, insônia, entre outras."

Esse ano eu comecei o meu sétimo semestre no curso de Psicologia, trabalho das 9 ás 18 horas e quando saio da loja vou direto para a aula que começa as 19. Eu amo o curso que faço, mas parece que o período de "férias" não foi o suficiente. Claro que ninguém fica empolgado com um milhão de artigos para ler, seminários a cada dois dias, semana de provas, conteúdo e mais conteúdo, mas isso deixou de ser um simples problema de disposição, para virar um desencadeador de vários distúrbios entre universitários.

Eu tive sorte, estudei em uma escola pública ótima, mas era integral, eu estudava 10 horas por dia, tinha um mês de prova direto, havia dias que eu simplesmente chorava porque não conseguia mais fazer provas. Meus pais sempre me cobraram muito também. Mas felizmente eu já sai do colégio sabendo qual curso queria e também consegui uma bolsa de 50% com o ProUni em uma faculdade pequena aqui da cidade, mas que aos poucos está ganhando um ótimo reconhecimento.

"Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), 20% dos adolescentes brasileiros sofrem de depressão. Estudos da psiquiatria da Universidade Federal de Minas Gerais apontam que a desconfiança do próprio desempenho, insônia, estresse psíquicos, transtornos mentais menores podem se desenvolver para distúrbios mais graves entre os universitários."

Ao entrar na faculdade a gente passa por um período grande de mudanças e aí é que começam as dificuldades. Durante esses anos de curso eu presenciei muitas crises de estresse na sala, ouvi muitos relatos de estudantes com ataques de pânico no banheiro e li muitas notícias sobre suicídio de acadêmicos.

"O ingresso no ensino superior, conforme preconiza Almeida (2005), marca o início da transição para o mundo do trabalho, assim como a autonomia própria do jovem adulto. Este processo tem lugar numa fase importante do desenvolvimento psicossocial do estudante, uma vez que as suas preocupações e problemáticas são muitas vezes um espelho de dificuldades na resolução de tarefas normativas de desenvolvimento, características da transição da adolescência para a fase adulta. Conforme Cardoso et al (2004), o jovem adulto tem um grande desafio na construção final da sua personalidade, e é com a entrada no ensino superior que essa construção atinge o ponto crucial. Nessa fase da vida, destacam os autores, é atribuído um novo papel ao jovem, que envolve ao mesmo tempo poder e responsabilidade, exigindo do estudante grande nível de maturidade para poder responder aos desafios que lhes são postos a nível acadêmico sem se desviar de seus objetivos pessoais."

Imagem de school and studyblr

"Uma pesquisa realizada pela Andifes (Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior), por meio do Fórum Nacional de Pró-Reitores de Assuntos Comunitários e Estudantis (Fonaprace), revelou que 39% dos estudantes das instituições federais de ensino superior (Ifes) passam por alguma dificuldade emocional. Segundo o diagnóstico, realizado pelo psicólogo Marcelo Tavares, professor da Universidade de Brasília (UnB), dos 39% de alunos com crises psicológicas, pelo menos 5,5% faz uso de medicação psiquiátrica e 24% já procuraram ajuda psicológica. Além disso, estima-se que entre 10 a 20% dos estudantes das universidades federais estejam em processo agudo de crise, que requer apoio psicológico imediato."

Assim como muitos problemas psicológicos, esse alto nível de estresse costuma ser ignorado. Não é normal você não dormir pelo menos 6 horas por dia, não é normal você querer vomitar quando falta pouco para uma prova, não é normal você ter crises de choro todos os dias.

Desde quando entrei na faculdade passei por várias coisas e emoções, é horrível quando você diz que está cansada e alguém vem dizer que você não tem motivo porque você só estuda. Fora que antes de entrar na faculdade você já começa a ser pressionado com cursinho, ENEM, vestibular, tem que escolher entre público e privado, se não consegue ProUni ou Sisu tem que tentar Fies e se não consegue nada tem que arrumar um emprego para pagar ou estudar mais para o ano que vem.

Não estou dizendo que faculdade é ruim ou querendo assustar você, só estou dizendo que sim, você precisa estudar, mas você também PRECISA manter sua sanidade. Não tem nada errado pedir ajuda quando se está desesperado, isso não é ser fraco.

Há um ano atrás eu fui buscar terapia por conta própria, não esperei que ninguém fizesse isso por mim, eu tenho ansiedade e além disso meu curso exige a terapia dos acadêmicos (psicólogo também faz terapia haha) a diferença entre a Raíssa de antes e a Raíssa de agora é enorme, quem me conhece a vida toda sabe e é testemunha disso.

Se você não quiser ir para um curso superior ou não saber qual faculdade fazer tudo bem, se você resolver trocar de curso na metade, tudo bem também. Não se martirize nem se culpe por estar buscando a sua felicidade, não se importe com o que as pessoas dizem, elas sempre vão falar demais. Você é o responsável pela sua vida, os outros são só os outros e muitos deles não querem realmente que você se sinta feliz e esteja bem consigo mesmo.


2 comentários:

  1. É tem razão, é preciso estudar, hj resolvi voltar pro curso. nen que eu termine esse e faça outro no futuro...
    obs:gosto das suas resenhas

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. ah que legal! é importante estudar, mas a gente tem que se cuidar também e tomar decisões com cuidado. Que bom que vc gosta das resenhas :)

      Excluir

Incentive o blog! Comente o post com sua opinião ou sugestão, todos os comentários são bem-vindos, exceto os ofensivos. Deixe seu link caso você também tenha um espaço. Muito obrigada!